Cyndi lauper se prepara para cantar, terça-feira, no rio.

Cyndi Lauper recuperando-se de uma crise de bronquite,

São Paulo – vestida com uma camisa azul marinho transparente com faiscantes apliques prateados, e um ponteagudo bustiê meia taça também prateado ressaltando uma brancura translúcida, seria difícil imaginar a cantora norte-americana Cyndi Lauper dançando uma lambada. Mas ninguém precisa se preocupar com a possível intervenção.

“Só me interessa o ritmo da lambada não a dança”, disse a cantora com sua voz fina na entrevista coletiva que deu em São Paulo. “O Brasil é um fantástico ponto de encontro de ritmos”, elogiou. Só é difícil compreender a língua, seu eu ouvir português ou alemão, par mim é a mesma coisa, frisou.

Cyndi Lauper está no Brasil para fazer uma série de três shows em São Paulo, cuja estréia foi ontem, no ginásio do Ibirapuera e um no Rio de Janeiro, na terça-feira, dia 7, no maracanãzinho. Cyndi que embora jovem, recusa-se a dizer a idade (a imprensa estrangeira costuma afirmar que ela tem 36 anos).

Não quero dar parâmetros para as pessoas. Ela vem de uma excursão pelos países do Oriente incluindo passagens pela Autrália e Nova Zelândia. Em Hong Kong, a cantora que sofre de bronquite teve uma das suas crises por causa do choque térmico causado por um forte ar condicionado, foi obrigada a adiar um show da Autrália. De volta para Los Angeles, fez uma escala de três dias antes de vir para o Brasil e ao desembarcar teve uma recaída que a obrigou a cancelar uma entrevista marcada para a tarde de quinta-feira.

Até ontem à tarde ela garantia estar recuperada para os shows brasileiros. “Cantar é uma cura” regozija, “Se num show eu dou a mão para uma criança ou um fã e penso que este cumprimento pode ser uma nota musical. A troca de energia me dá saúde”, diz Lauper. Para a temporada brasileira Cyndi vai cantar o repertório de seus discos, em seis anos de carreira, que segundo a gravadora CBS já venderam mais de 13 milhões de cópias em todo o mundo. Acompanhada de 40 toneladas de som e luz 36 seguranças.

Cyndi Lauper lançou o terceiro álbum , A Night To Remember, e já é ganhadora de um disco de ouro no Brasil por vender 100.000 mil cópias. Dois outros discos de ouro e um de platina foram entregues a ela ontem pelo presidente da CBS brasileira, Cláudio Conde.

A euforia da gravadora e dos fãs paulistas que induziram à programação de um show extra no Ibirapuera chega até a ser estranha quando se pensa que Cyndi Lauper só foi conhecer os discos de Elvis Presley, Roy Orbison e Chuck Berry entre outros roqueiros básicos, depois de muitas sessões de música organizada pelo saxofonista e tecladista , John Turi, com quem formou seu primeiro grupo, o Blue Angel.

Maior estranhamento ainda foi o trompetista Miles Davis ter regravado uma de suas músicas, Time After Time. No entanto ninguém estranha qualquer comparação entre ela e Madonna apesar de a insinuação quase quebrar o humor de Cyndi “enquanto Madonna cantava Like a Virgin (como uma virgem) eu cantava She Bops (algo como, ela transa, ela rola pelo mundo)” justificou. ” A semelhança termina por aí, porque na verdade todo mundo começou a copiar meu jeito de vestir e cantar” e diz, por isso mudei.

Todas as brincadeiras e justificativas de Cyndi , na maior parte ficaram perdidas com as indefectíveis más traduções. As melhores pérolas não foram traduzidas. Numa das últimas perguntas ela até espantou-se com o extremo poder de síntese do tradutor que não se fez de rogado e disse que estava apenas resumindo.

A resposta de Cyndi tinha no mínimo 5 minutos , o tradutor resumiu para meio minuto. Mesmo assim ela disse estar feliz no Brasil, que acha o público brasileiro muito quente e todas aquelas frases simpáticas , decoradas por qualquer popstar.

Cyndi Lauper disse em São Paulo que nada tem a ver com Madonna. “Todo mundo começou a copiar meu jeito de vestir e cantar”.