Cyndi Lauper continua estonteante

Passado todo esse tempo sem nenhum lançamento inédito relevante, Lauper reuniu 12 ótimas faixas em Bring Ya to the Brink

Flavinha Campos

A cantora pop Cindy Lauper lançou seu primeiro álbum, She’s So Unusual, em 1983, ao mesmo tempo em que Madonna também estreava. Ao longo desses 25 anos, as duas tiveram trajetórias bastante diferentes: Madonna foi coroada a rainha do pop, e sofreu muitos altos e poucos baixos enquanto Lauper caiu no esquecimento e foi de mal à pior. Mas neste ano de 2008, as duas têm uma coisa em comum: ambas estão promovendo seus trabalhos voltados às pistas de dança.

Após o fracasso de seu último álbum de faixas inéditas, Sisters of Avalon, de 1997, Lauper voltou com tudo em Bring Ya to the Brink. Uniu forças com nomes como os mestres do techno europeu Basemente Jaxx, Dragonette e Richard Morel (produtor do Deep Dish, Depeche Mode e muitos outros) para co-produzir e co-escrever faixas que têm apelo às pistas de hoje em dia com certo toque retrô. O disco começa com “High and Mighty”, que carrega vocais “blueseados” em cima de uma base de sintetizadores rítmicos.

A poderosa “Into The Nightlife” mescla influências trance num pop “orgasmatrônico” . “Rocking Chair” contou com a colaboração do Basement Jaxx para produzir uma faixa divertida e diferente. “Echo”, assim com “Into the Nightlife”, foi sabiamente co-escrita e co-produzida por Peer Aström e Johan Bobeck, se destacando pelas linhas de sintetizadores compassados e vocais suaves que levam eco, assim como o título.

“Lyfe” conserva um tempero R&B que não desce muito bem, mas enfim… Logo na seqüência vem a glamurosa “Same Ol’ Story”, que entra nos domínios Disco com muito brilho e paetê. Produzida por Richard Morel, é uma das faixas que mais se destacam no repertório. “Raging Storm”, também produzida por Morel, traz um tom de protesto à pista de dança: “Você pode lutar pelo direito de ser, mas você está poluindo sua mente com celebridades” , canta ela. “Lay Me Down” prova que Lauper ainda está no páreo, com uma canção pop regada a sintetizadores trance.

A enérgica e durona “Give It Up” contou com a colaboração de Digital Dog, que já fez remixes para nomes como Pussycat Dolls e Rihanna, enquanto “Set Your Heart”, também co-produzida por Morel, enche a atmosfera de energia positiva e euforia. “Grab a Hold” oferece um toque pop retrô atualizado, com ajuda dos moderninhos do pop canadense Dragonette – super divertida, à La “Girls Just Wanna Have Fun”. “Rain on Me” também lembra o sucesso do passado “Time After Time”, só que mais animadinha, com uma roupagem anos 2000.

Bring Ya to the Brink conseguiu unir o passado e o presente em um disco que não só vai agradar às pistas de hoje, mas também promete satisfazer os fãs que acompanham a cantora desde o início de sua carreira. Com o presente trabalho, Cindy provavelmente não vai atingir o topo das paradas do pop, como Madonna fez com Hard Candy, mas considerando as circunstâncias, temos aqui, sem dúvidas, um retorno glorioso de Lauper, que carrega nada mais nada menos que 55 anos nos ombros e uns quilinhos a mais na cintura.

Artista: Cyndi Lauper
Álbum: Bring Ya to the Brink
Lançamento: Epic Records
Gênero: Pop; Dance; Disco
Preço: 23 reais
TRACKLIST
1. High and Mighty
2. Into the Nightlife
3. Rocking Chain
4. Echo
5. Lyfe
6. Same Ol’ Story
7. Raging Storm
8. Lay Me Down
9. Give It Up
10. Set Your Heart
11. Grab a Hold
12. Rain on Me

Lauper no TOP 20 VH1 neste Sabado

Lauper aparece neste sábado no programa de estréia da cantora Luciana Mello “Top 20 VH1”. Veja abaixo os cantores e bandas escalados para a primeira edição. Luciana Mello estréia como VJ na TV neste sábado

A cantora Luciana Mello estréia neste sábado, 26, como apresentadora de TV. Luciana vai comandar o programa Top 20 que será exibido semanalmente pelo canal de TV por assinatura VH1.

O Top 20 será um programa de videoclipes com duas horas de duração. Em cada edição serão exibidos os 20 melhores clipes de determinado tema. Na estréia do programa o tema escolhido foi ‘Hits dos Anos 80’. Madonna, Michael Jackson, U2, New Order, Prince, Culture Club e B-52’s são alguns dos nomes que não podem faltar na lista de sucessos que marcou a década de 80.

O programa irá ao ar aos sábados, das 20h00 às 22h00. Mas quem perder a estréia poderá assistir nas reprises às segundas-feiras, das 11h00 às 13h00, ou aos domingos das 09h00 às 11h00. O Top 20 também será reprisado de terça e quarta-feira às 22h00 e de quarta e quinta-feira às 17h00.

1 Michael Jackson
2 Madonna
3 Prince
4 A-HÁ
5 U2
6 Wham!
7 New Order
8 Depeche Mode
9 Tears for fears
10 Frankie goes to Hollywood
11 Simple Minds
12 INXS
13 Culture Club
14 The Cure
15 Billy Idol
16 The Smiths
17 The B52’s
18 Duran Duran
19 Pet Shop Boys
20 Cyndi Lauper

http://vh1brasil.uol.com.br/top20/

A Carreira de Cyndi Lauper

Publicada em 24/06/2008 às 08h33m
Guilherme Samora – Diário de SP

1983 – Depois de uma tentativa fracassada de alcançar o sucesso com uma banda estilo rockabilly (batizada de Blue Angel), Cyndi Lauper lançou seu primeiro disco solo, o “She’s so Unusual” (“Ela é tão diferente”). Lá estão os clássicos “Girls Just Want to Have Fun”,”Time after Time”, “She Bop”, “All Through the Night” e “Money Changes Everything”. O álbum vendeu 16 milhões de cópias e ela se tornou a primeira mulher a ter quatro músicas consecutivas do top 5 das paradas americanas e inglesas. Recentemente, em 2004, o disco foi eleito pela “Rolling Stone” americana como um dos 500 melhores de todos os tempos. De autoria de Cyndi, “Time After Time” se transformou em uma das músicas mais tocadas e regravadas da música americana até hoje. Até Miles Davis fez sua versão para ela.

1986 – O tão aguardado segundo disco de Cyndi foi batizado de “True Colors”. E Cyndi, depois de perder o melhor amigo para a Aids e assustada com a aparição da doença, dedicou duas músicas a ele: “Boy Blue” e a faixa título. “True Colors” (com o refrão: “Não tenha medo de mostrar as suas cores. Elas são bonitas como o arco-íris”) acabou virando hino gay.

1989 – Depois de gravar seu primeiro filme (“Vibes”, um fracasso de bilheteria mas que mostrou seu talento para a arte. Mais tarde, ela ganharia prêmios de melhor atriz, como o Emmy), Cyndi lançou o disco “A night to remember”, com o hit “I drove all night”. Os executivos que a descobriram não estavam mais na Sony/ CBS e ela começou a ter problemas com a gravadora. De qualquer modo, saiu em turnê mundial e veio para o Brasil pela primeira vez.

1993 – Depois do período traumático com o disco anterior, Cyndi pensou em parar de cantar. Mas decidiu cantar suas mágoas em “Hat Full Of stars”, seu mais obscuro e o melhor disco de sua carreira. A idéia era escrever uma biografia, que depois ela transformou em músicas e colocou nesse CD. Histórias da amiga que fez um aborto e acabou morrendo, abusos que sofreu na infância, drogas, amores perdidos, homofobia e outros temas densos acabaram assustando quem conhecia apenas o lado colorido da moça. A foto da capa, inclusive, revela que Cyndi tinha mudado e estava falando sério: em preto e branco, ela mostra a cantora sem os cabelos multicoloridos e com os pés descalços em cima de uma lata de lixo. Mesmo sem apoio da gravadora, a crítica aplaudiu como um dos melhores discos dos anos 90.

1994 – A Sony lançou “Twelve Deadly Cyns…and Then Some”, o primeiro – de vários que viriam depois – CD de grandes sucessos. Cyndi regravou “Girls Just Want to have fun” com outro arranjo e a rebatizou de “Hey Now”. Com a turnê do disco, que a levou de volta às paradas, veio para o Brasil pela segunda vez.

1997 – Lança “Sisters of Avalon”, um CD influenciado pela “irmandade feminina”, como Cyndi disse. Temas como bruxaria, lesbianismo e até a vida de uma drag queen aparecem no disco. Alternativo demais, acabou nas prateleiras apenas dos fãs. Um ano depois, ela lançou um disco de músicas natalinas para terminar seu primeiro contrato com a Sony.

1999 – Começa sua curta experiência com as gravadoras independentes. Lança com sucesso o single de “Disco Inferno”, cover do clássico do The Trammps’s, para a trilha de um filme. Depois, em 2001, tenta lançar um novo disco, “Shine”, em uma gravadora que acabou falindo na época dos atentados de 11 de setembro. O CD vazou na internet e foi lançado só no Japão, onde Cyndi tem uma legião de fãs, em 2004.

2003 até 2007 – De volta à Sony, Cyndi lançou dois projetos especiais da gravadora. Um de covers (“At Last”) e um acústico com seus sucessos (“The Body Acoustic”). No meio tempo, fez um musical na Broadway.

2008 – Cyndi lança o novo CD “Bring ya to the brink” e anuncia uma turnê no Brasil em novembro .

Matéria enviado por José Rodrigues